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A engenharia social é um dos meios mais utilizados de obtenção de informações sigilosas e importantes. Isso porque explora com muita sofisticação as "falhas de segurança dos humanos".

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O corpo é a senha Imprimir E-mail
Por Viktor Mota   
A biometria dá um gás na segurança das empresas de qualquer tamanho.


Não são só as pragas virtuais que tiram o sono do pessoal que cuida da segurança dos dados armazenados nos computadores das empresas. O roubo de informações também pode ocorrer fisicamente. Basta espetar um memory key no servidor de banco de dados, por exemplo, e copiar os arquivos desejados. Ou então usar a câmera digital do próprio celular para fotografar um desenho ou documento deixado sobre uma mesa.

Por isso, além de instalar antivírus, firewall e outros tipos de bloqueio nos computadores, é importante reforçar também a segurança física, controlando o acesso de pessoas a áreas consideradas críticas. “Estatísticas mundiais indicam que dois terços dos incidentes de segurança têm origem dentro das próprias empresas”, afirma Marcio Zapater, consultor de negócios e tecnologia da Promon. “Ferramentas da biometria podem ajudar a reduzir esses incidentes.”

No Brasil, o uso da biometria vem crescendo dentro das empresas que buscam uma forma mais eficiente – e segura – de controlar o acesso às mais diversas áreas. Em vez de senhas, cartões magnéticos ou com chip, que podem ser perdidos ou emprestados, a biometria utiliza características do próprio corpo da pessoa – como a impressão digital, a geometria das mãos ou a íris dos olhos – para identificá-la. Essas características são capturadas por leitores digitais e transformadas em algoritmos matemáticos, que são comparados com os armazenados previamente em uma base de dados. Feito o reconhecimento, o acesso é liberado.

A pesquisa “As 100 Empresas Mais Ligadas do Brasil”, da INFO, mostra que as corporações estão mesmo aderindo à biometria. Em 2003, 21% delas usavam essa tecnologia. No ano passado, o percentual saltou para 34%. A pesquisa é feita principalmente em grandes empresas, mas, com a redução do custo dos sistemas de biometria, as pequenas e médias hoje também começam a ter acesso à essa tecnologia.

O reconhecimento de impressões digitais é o tipo de biometria mais usado no mundo – e o que mais cresce. É também o mais barato, porém o que oferece menor grau de precisão. Tudo depende do nível de segurança que se quer. A tecnologia de reconhecimento de íris é a mais segura, mas, por ser mais cara, é recomendada apenas para áreas de acesso restrito, como por exemplo em CPDs. Além de mais barata, a biometria baseada na digital é mais fácil de usar e não assusta as pessoas – como ocorre no reconhecimento da íris, em que é preciso aproximar os olhos do dispositivo de leitura.

Para contornar o problema da precisão recomenda-se o uso da biometria associada ao cartão com chip. “Isso aumenta a segurança em até 15%, nos casos de biometria da digital ou da geometria da mão”. Outra vantagem da associação das duas tecnologias é a agilidade na identificação. A pesquisa em um banco de dados com cerca de mil usuários, por exemplo, pode demorar até 4 segundos a partir do momento em que a pessoa coloca o dedo no dispositivo de leitura. Se ela passar o cartão antes, o sistema já busca no banco de dados a sua digital e, quando o dedo é colocado no leitor, apenas faz a comparação e o reconhecimento – o que leva menos de um segundo. Esse tipo de solução é indicado para locais com maior circulação de pessoas, como a entrada de empresas com grande número de funcionários ou academias de ginástica.

Como exemplo, citamos uma empresa de Confecções, que fica no popular bairro do Brás, em São Paulo. Em julho, a empresa trocou o crachá magnético pelo reconhecimento da impressão digital, para controlar o ponto dos 110 funcionários que trabalham em sua loja. Para isso, comprou um sistema que inclui o leitor de digitais – instalado na entrada da loja –,banco de dados e o software de controle de ponto, que roda em um computador simples.

O objetivo era evitar a possibilidade de um funcionário passar o cartão pelo outro. Os funcionários gostaram da mudança, principalmente porque acabou com a preocupação em não perder – ou esquecer – o crachá. Com o sucesso da experiência, a empresa planeja instalar outro leitor de digitais na entrada da fábrica, para controlar o ponto de mais 150 funcionários.

Biometria na Administração pública

Um projeto que prevê o uso de bancos de dados mais seguros para os órgãos estatais, incluindo o uso de biometria, tramita na Câmara dos Deputados.

A Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público aprovou, por unanimidade, na última quarta-feira (26/10), o Projeto de Lei 3372/04, do deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), que determina a adoção de mecanismos de segurança mais modernos para proteger os bancos de dados sigilosos da administração pública federal.

Essas bases guardam informações como a arrecadação de tributos e o pagamento de despesas de pessoal.

O relator, deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), concordou com a tese do autor de que, para assegurar a proteção eficiente dos dados administração pública, já não basta usar os sistemas tradicionais, como as senhas alfanuméricas.

"De fato, será muito mais eficaz empregar tecnologias de ponta, como o reconhecimento das impressões digitais e das íris dos funcionários que têm acesso aos bancos de dados, conforme prevê o projeto", ressaltou o relator.

Para Almeida, a tecnologia empregada atualmente não protege o sistema da ocorrência de fraudes milionárias contra os cofres públicos, por meio da manipulação desonesta dos bancos de dados dos órgãos estatais.

Se o projeto for aprovado, a administração pública federal firmará convênios com universidades para implantar as novas tecnologias.

Está previsto também convênio com o Supremo Tribunal Federal (STF), que já usa sistemas modernos para proteger as informações dos processos que tramitam em segredo de Justiça.

O projeto, que tem regime de tramitação conclusiva , ainda será analisado pelas seguintes comissões: Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.



Fonte: Revista Veja

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